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Baleias? Drone registra gigantes amazônicos nadando entre cardume no Rio Teles Pires

Um vídeo gravado por drone na região do Rio Teles Pires, em Itaúba (MT), mostra dois pirarucus gigantes nadando tranquilamente entre outros peixes. Pelo ângulo das imagens e pelo porte dos animais, muitos internautas compararam a cena à passagem de baleias.
As imagens foram publicadas pela Pousada Tucuna Sport Fishing e já ultrapassaram 650 mil visualizações. Na legenda, o perfil destaca o tamanho dos peixes e lembra que o pirarucu está entre as maiores espécies de água doce do planeta.
No vídeo, é possível observar os pirarucus deslizando lentamente próximo à superfície da água, enquanto peixes menores passam ao redor.
Desde março deste ano, o pirarucu pode ser pescado durante todo o ano nas regiões onde é considerado uma espécie exótica invasora. A Instrução Normativa nº 7/2026 do Ibama liberou a captura, o transporte e o abate do peixe sem limite de cota ou de tamanho em bacias onde ele não é nativo, como a do Paraguai. A medida busca conter a expansão do predador e reduzir os impactos sobre espécies nativas. Os exemplares capturados não podem ser devolvidos ao ambiente e devem ser abatidos.
O pirarucu (Arapaima gigas) é considerado um dos maiores peixes de água doce do mundo. A espécie pode ultrapassar três metros de comprimento e pesar mais de 200 quilos. Além do tamanho, chama a atenção por precisar subir periodicamente à superfície para respirar, já que possui um sistema respiratório adaptado que permite captar oxigênio do ar.
Embora seja nativo da bacia Amazônica, o pirarucu também pode ser encontrado em rios de Mato Grosso inseridos nesse bioma, como o Teles Pires. A espécie tem grande importância ecológica e econômica, mas sua captura é controlada por normas ambientais devido ao histórico de sobrepesca em algumas regiões.
O biólogo Helder Freitas explica que o pirarucu não chega sozinho a novas bacias hidrográficas. Segundo ele, a ocorrência da espécie fora de sua área natural está relacionada, principalmente, à soltura irregular de exemplares ou ao escape de criadouros.
“O peixe exótico não vem por vontade própria. Alguém soltou ou escapou de criadouros na bacia do rio Paraguai. Então, a fiscalização tem que ser em cima dos criadores que estão nas margens do rio”, afirma.
O professor e pesquisador da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), Francisco Machado, também alerta que o pirarucu é um peixe piscívoro, ou seja, alimenta-se de outros peixes. Em ambientes onde encontra alimento em abundância, poucos predadores e baixa concorrência, a espécie pode se estabelecer com facilidade e pressionar populações de peixes nativos.
Segundo o pesquisador, do ponto de vista biológico, o mais correto é dizer que o pirarucu passa por um processo de adequação ao novo ambiente, e não de adaptação, já que adaptações ocorrem ao longo de milhares de anos.