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Baleias? Drone registra gigantes amazônicos nadando entre cardume no Rio Teles Pires

Baleias? Drone registra gigantes amazônicos nadando entre cardume no Rio Teles Pires
Publicado em 23/07/2026 às 20:08

Um vídeo gravado por drone na região do Rio Teles Pires, em Itaúba (MT), mostra dois pirarucus gigantes nadando tranquilamente entre outros peixes. Pelo ângulo das imagens e pelo porte dos animais, muitos internautas compararam a cena à passagem de baleias.

As imagens foram publicadas pela Pousada Tucuna Sport Fishing e já ultrapassaram 650 mil visualizações. Na legenda, o perfil destaca o tamanho dos peixes e lembra que o pirarucu está entre as maiores espécies de água doce do planeta.

No vídeo, é possível observar os pirarucus deslizando lentamente próximo à superfície da água, enquanto peixes menores passam ao redor.

Pirarucus no Rio Teles Pires, em Itaúba (MT). – Imagem: Tucuna Sport Fishing

Desde março deste ano, o pirarucu pode ser pescado durante todo o ano nas regiões onde é considerado uma espécie exótica invasora. A Instrução Normativa nº 7/2026 do Ibama liberou a captura, o transporte e o abate do peixe sem limite de cota ou de tamanho em bacias onde ele não é nativo, como a do Paraguai. A medida busca conter a expansão do predador e reduzir os impactos sobre espécies nativas. Os exemplares capturados não podem ser devolvidos ao ambiente e devem ser abatidos.

O pirarucu (Arapaima gigas) é considerado um dos maiores peixes de água doce do mundo. A espécie pode ultrapassar três metros de comprimento e pesar mais de 200 quilos. Além do tamanho, chama a atenção por precisar subir periodicamente à superfície para respirar, já que possui um sistema respiratório adaptado que permite captar oxigênio do ar.

Embora seja nativo da bacia Amazônica, o pirarucu também pode ser encontrado em rios de Mato Grosso inseridos nesse bioma, como o Teles Pires. A espécie tem grande importância ecológica e econômica, mas sua captura é controlada por normas ambientais devido ao histórico de sobrepesca em algumas regiões.

O biólogo Helder Freitas explica que o pirarucu não chega sozinho a novas bacias hidrográficas. Segundo ele, a ocorrência da espécie fora de sua área natural está relacionada, principalmente, à soltura irregular de exemplares ou ao escape de criadouros.

“O peixe exótico não vem por vontade própria. Alguém soltou ou escapou de criadouros na bacia do rio Paraguai. Então, a fiscalização tem que ser em cima dos criadores que estão nas margens do rio”, afirma.

Peixes gigantes, que mais parecem baleias, são flagrados em rio de MT. – Vídeo: Tucuna Sport Fishing

O professor e pesquisador da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), Francisco Machado, também alerta que o pirarucu é um peixe piscívoro, ou seja, alimenta-se de outros peixes. Em ambientes onde encontra alimento em abundância, poucos predadores e baixa concorrência, a espécie pode se estabelecer com facilidade e pressionar populações de peixes nativos.

Segundo o pesquisador, do ponto de vista biológico, o mais correto é dizer que o pirarucu passa por um processo de adequação ao novo ambiente, e não de adaptação, já que adaptações ocorrem ao longo de milhares de anos.

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