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Peixes em área de usina são removidos em operação com mais de 100 pessoas

Peixes em área de usina são removidos em operação com mais de 100 pessoas
Publicado em 18/08/2025 às 16:56

Mais de 100 pessoas devem atuar na operação de resgate de peixes na área da usina hidrelétrica no Rio Teles Pires, em Colíder, após a Eletrobras iniciar, na última quinta-feira (14), o rebaixamento controlado do reservatório.

A retirada dos peixes foi decidida depois que o nível de segurança, em razão do baixo volume de água, mudou de “atenção” para “alerta” (o terceiro estágio mais grave em uma escala de quatro níveis).

Usina Hidrelétrica Colíder. (Foto: reprodução)

A medida de rebaixamento controlado do nível da água foi adotada depois que cinco drenos dos sistema da barragem se romperam. Ao todo, são 70.

O primeiro rompimento de dreno foi registrado no dia 14 de junho, logo após a Eletrobras assumir a usina, adquirida da Copel em 30 de maio. Especialistas externos recomendaram a redução do nível da água para permitir avaliação detalhada e definir um plano de ação que garanta o retorno da barragem ao nível normal de segurança.

Impacto na comunidade local

Moradores ribeirinhos relatam dificuldades provocadas pela redução do nível do reservatório da UHE Colíder. Entre eles, Juliana de Lima Marques, proprietária de uma pousada na região, relatou a preocupação com os efeitos da diminuição da água.

“Sim, está sendo muito difícil. Com a redução enorme de água, estamos muito preocupados com o rio e principalmente com a queda de vendas aqui para nós.”

Juliana explicou que a redução começou na semana passada e que esta é a primeira vez que enfrenta uma situação desse tipo em seus 29 anos morando no município de Itaúba.

“Nasci no município de Itaúba e nunca vi algo assim acontecer antes”, completou.

O relato de Juliana evidencia como as medidas de segurança da usina impactam diretamente a economia local e a rotina de famílias que dependem do rio para turismo e pesca.

Barragem e risco aos peixes

Os drenos da barragem têm a função de escoar a pressão da água acumulada no reservatório, garantindo a estabilidade da estrutura e evitando sobrecarga nos vertedouros. Danos a essas estruturas podem comprometer a segurança da usina e, em casos extremos, provocar acidentes com impacto ambiental e social.

Com o rebaixamento do nível da água, peixes e outras espécies aquáticas ficam concentrados em áreas menores do rio, aumentando o risco de mortalidade por falta de oxigênio ou deslocamento inadequado. Por isso, a operação de resgate torna-se essencial para preservar a ictiofauna e minimizar impactos ecológicos, especialmente em um ecossistema que abastece comunidades ribeirinhas.

Logística e operação do resgate

O resgate começou no sábado, 16 de agosto, e até o momento já resultou no salvamento de aproximadamente 5 mil peixes. No momento, 9 equipes estão em campo realizando vistoria, monitoramento e captura dos peixes.

Até o próximo fim da semana, a Eletrobras planeja mobilizar cerca de 20 equipes simultâneas, envolvendo mais de 100 profissionais, utilizando 20 barcos, drones e um helicóptero para otimizar a operação.

Os peixes resgatados passam por identificação e triagem antes de serem devolvidos a áreas cheias do Rio Teles Pires, reduzindo o impacto sobre o ecossistema. Segundo a Eletrobras, não houve novos alertas de mortandade de peixes, e toda a operação segue sob fiscalização da Secretaria de Estado de Meio Ambiente (Sema-MT).

Teles Pires Itauba
Situação de um lado do rio, após o rebaixamento da água. (Foto: Douglas Aziliero)

Fiscalização e responsabilidades

A Sema-MT esclareceu que o resgate de peixes é de responsabilidade do empreendimento, que deve contratar equipes especializadas para evitar a mortandade de peixes durante operações que alterem o nível dos rios. O órgão mantém fiscalização contínua para garantir que o trabalho siga as normas ambientais e padrões técnicos exigidos.

Apesar disso, moradores das comunidades ribeirinhas relataram mortandade de peixes e alertaram para impactos sociais e econômicos, já que muitas famílias dependem da pesca para alimentação e renda. A secretaria, no entanto, afirmou que não recebeu denúncias formais de mortalidade até o momento.

Contexto socioambiental e energético

A UHE Colíder informou que a operação segura da barragem é essencial não apenas para a geração de energia, mas também para garantir a proteção de comunidades, ecossistemas e atividades econômicas locais, como agricultura, pesca e turismo.

O rebaixamento do reservatório é parte de um plano emergencial coordenado, que prioriza a segurança da população e a preservação ambiental, enquanto especialistas avaliam a integridade estrutural da usina e definem ações corretivas.

Próximos passos

A Eletrobras informou que o rebaixamento seguirá pelos próximos dias, enquanto o painel de especialistas externos acompanha o desempenho da barragem e a operação de resgate da ictiofauna. A companhia reforça seu compromisso com a transparência e a comunicação contínua com órgãos públicos, comunidades e entidades ambientais, garantindo que as ações adotadas minimizem riscos e impactos.